Dayane Okipney, Author at Cresci e Agora

O tal do politicamente correto

Ouvi um podcast do Café Brasil onde critica-se o “politicamente correto” no dia-a-dia do brasileiro. Gostei muito de ter ouvido, não por ter compartilhado das opiniões, mas justamente por ter sido contrária a elas, o que fez com que eu me manifestasse .

Concordo com o fato de que apenas substituir termos mais brandos ou menos pejorativos não vai fazer com que passemos a ver a coisa em si de maneira diferente, apenas mascara e cria o que acredito ser hipocrisia.

É hipocrisia a pessoa que chama o negro de afro-descendente sem deixar de ser racista. Isso porque o negro em nossa sociedade é marginalizado, então, ser chamado de negro, mesmo sendo negro, soa ofensivo, o problema é maior porque re-significa o termo “afro-descente” absorvendo o preconceito pré-existente, o que também não resolve.

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Porque a defesa do parto humanizado?

Para muitas garotas, deve soar estranho ver tantas mulheres fazendo, nos dias atuais, campanhas sobre o parto humanizado para que voltemos a parir como nos tempos da vovó: sem anestesia, de preferência em casa, muitas vezes com a família assistindo e até mesmo bichinhos de estimação prestigiando o momento. “Que horrível! A mulher tendo um filho sem anestesia? Sem um médico? Esperando o bebê nascer em qualquer dia? Que humilhante ficar com as pernas abertas, sangrando, sentindo dor pra todo mundo ver!”

Esse é um pensamento que eu partilhei por muito tempo. Não entendia como após todos esses avanços, as mulheres queriam retroceder. No meu entender, a intervenção médica era apenas para facilitar. E sim, também é!

O "parto humanizado" lindo do filme Lagoa Azul, quem lembra?

O “parto humanizado” lindo do filme Lagoa Azul, quem lembra?

É maravilhoso que hoje em dia, muitas vidas sejam salvas em partos difíceis graças à possibilidade da cesariana. Também é muito bom a alternativa de ter sua dor aliviada, quando esta é insuportável, entre outras técnicas que a medicina desenvolveu e que ajudam muitas mulheres.

Mas já pararam pra pensar que todas essas técnicas são demandas cirúrgicas para algo totalmente natural? Será que precisamos de fato de, mesmo estando em dia com nossa saúde na gravidez, passar por uma cirurgia complicada que dobra o risco de morte da mãe e do bebê?
Será que pra uma coisa que nosso corpo se preparou biologicamente a vida toda, precisamos ser levadas de cadeira de rodas, sedadas, muitas vezes até presas em macas para que alguém nos corte, retire a criança e as leve pra longe de nós?
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