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Finanças: Bolsa família – entre uma calça de R$ 300 e a faculdade

Depois do vídeo polêmico, da senhora que recebia uma bolsa família e queria comprar uma calça de mais de 300 reais para filha de 16 anos, me veio uma reflexão pessoal de “por que o Brasil é um país de pobres?

A verdade é que às vezes uma família (ou pessoal singular) de poder aquisitivo de classe B é mais pobre que uma família de poder aquisitivo de classe D. Tudo é uma questão de planejamento financeiro e adaptação à realidade.

Como pode uma senhora que recebe uma bolsa auxílio de R$ 134 (que deve complementar uma renda também baixa) querer oferecer a filha uma calça de R$ 300? A menos que ela compre apenas UMA calça por ano (reservando mês a mês uma quantia para isso) é ilógico o raciocínio. E essa é a realidade do brasileiro, sem uma boa educação financeira (nem em casa, nem na escola) vive de talões e talões das Casas Bahia e pagando o valor mínimo do cartão de crédito!

Dinheiro traz tanta felicidade quanto infelicidade, a diferença está em como você administra ele e o “valor” que dá para ele. Se você tem uma renda de R$ 600 deve viver como uma pessoa que tem um salário R$ 600 (ou que tem um salário ainda menor para conseguir manter uma poupança), se você tem uma renda R$ 6.000 deve viver como uma pessoa dessa renda (ou a mesma regra anterior).

É óbvio que o Brasil é um país caro, que não favorece o povo, mas se você se deixar levar pela onda a situação vai piorar, e é pra você mesmo.
Uma bolsa AUXÍLIO deveria ter o fim de auxiliar a pagar as contas essenciais da casa para poder manter os filhos na escola e oferecer o BÁSICO. Não?


Bolsa família: calça de R$ 3000Voltando ao caso da senhora, a filha é uma adolescente. Adolescentes realmente tem essa necessidade de afirmar, e às vezes é por meio de marcas e roupas caras. Mas que lição essa senhora está ensinando? Está ensinando a filha não dar o devido valor ao dinheiro e não se preparar para uma vida que NUNCA é fácil. Ou seja, ela espera estar fazendo o melhor para a filha, mas só está apodrecendo um futuro que já é incerto.

É nessa hora que a senhora teria a oportunidade de ensinar a filha a poupar para ter uma calça cara, ou melhor ainda, ensinar a filha a ter prioridades (porque, né?).

O caso dessa senhora é o caso de grande parte do povo, que é pobre e consegue ter uma cabeça que o deixa ainda mais pobre.

Se o valor rendesse?

Um pequeno exemplo do que essa senhora poderia oferecer a filha no futuro, se em 10 anos (ela já recebe a 8 anos) de bolsa família ela deixasse de comprar essa calça cara e reservasse o dinheiro para oferecer a filha algo mais grandioso a longo prazo.

Se guardasse R$ 134,00, em uma poupança a juros de 0,45% (poupança rende pouquíssimo ao mês, há investimentos melhores), por 10 anos. Em 10 anos, teria um montante final de R$ 21.259,23.
Se fosse a um rendimento melhor, 1% ao mês, já seriam R$ 30.825,18 e assim vai.
Para conferir, calcule os juros.

Isso seria suficiente para dar entrada em uma casa (principalmente com os planos de incentivo do governo para baixa renda). Ou melhor, daria para pagar uma FACULDADE.

Se a senhora não consegue comprar nenhuma CALÇA com o dinheiro, que guarde, não compre nada, ela vai fazer um bem maior, até porque a filha não vai comer a calça, assim como a calça não vai pagar a conta de água, luz e telefone.

Prioridades, meus caros. Prioridades.

Sou super a favor investir impostos em auxílio para que menores consigam um futuro melhor, mas para comprar uma calça num valor que nem eu compro?

Autor:

Publicitária, por formação. Webdesigner, por curiosidade. Chocólatra, por vício. Mulher, por falta da opção de ser uma menina super-poderosa e salvar a cidade de Townsville.

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1 comentário em “Finanças: Bolsa família – entre uma calça de R$ 300 e a faculdade”

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