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Eu não preciso do seu elogio

Faz pouco mais de um ano que André Miranda, do Globo, escreveu o texto “Você é muito bonita“, uma grande expressão de como nossa sociedade é machista.

Hoje vi esse vídeo que me lembrou do episódio e não podia deixar de compartilhar.

Em Nova York, não muito diferente de São Paulo, uma mulher não pode andar pela rua sem um “elogio”.

Queria escrever aos homens que não conheço e também aos meus amigos, afinal sei que muitos de vocês fazem exatamente igual ao vídeo porque acham ~lisonjeiro~, como o repórter da Globo.

Queridos, nós – falo em nome das mulheres – não precisamos do seu elogio na rua. Esse elogio sutil que você não consegue segurar mais incomoda do que agracia. A maior parte das vezes nem entendemos o que você tentou falar, mas nosso cérebro já re-significou “mais um babaca”, simplesmente porque estamos cansadas.

Eu tenho dias ruins, dias péssimos, tenho chefe chato, tenho metrô lotado, tenho TPM e tenho menstruação – para ser clara – o seu “elogio”, como você gosta de chamar, mais aborrece.

Inclusive acho engraçado, porque metade de vocês (se não mais) se incomodaria se levasse uma cantada, ops… um “elogio” de um gay. Mas uma mulher não tem esse direito! Por que um cara que te acha bonito não pode fazer um “elogio”, mas você tem o direito de fazer a quantas mulheres desejar. Porque um gay te elogiar invade sua masculinidade e espaço, mas eu, como mulher, sou OBRIGADA a me sentir feliz com seu “gatinha”, “linda”, “princesa”, “bonita” na rua.

Verdade que nem todas as mulheres se incomodam, mas na dúvida, contenha-se.
Contenha-se na hora de virar o pescoço enquanto passamos na rua. É constrangedor.
Contenha o assobio. Contenha os olhos no ônibus lotado, quando você incontrolavelmente mantem os olhos fixos no decote da moça sentada. E não preciso nem dizer, contenha-se sobre a foto que você pensou/ tentou tirar da bunda, do peito, da saia, do rosto. Contenha-se sobre a observação pejorativa que queria fazer para o amigo, porque isso alimenta um comportamento nocivo.

Contenha sua vontade irrefreável de dizer que sou bonita.
Tenho pai, mãe, amigos próximos e espelho para dizer se sou ou estou bonita de forma verdadeiramente lisonjeira.

Tenho certeza que não é tão difícil assim ficar calado.

Chega de Fiu Fiu

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Autor:

Publicitária, por formação. Webdesigner, por curiosidade. Chocólatra, por vício. Mulher, por falta da opção de ser uma menina super-poderosa e salvar a cidade de Townsville.

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1 comentário em “Eu não preciso do seu elogio”

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  • Thiago Santos disse:

    Gostei do texto. Na verdade já li alguns outros que tratam do tema, e encontrei-me em uma reflexão bastante interessante. Ao mesmo tempo que a sociedade necessita evoluir em alguns pontos ligados a sociabilidade, necessita urgentemente rever a concepção de valores. Causa-me a impressão de que tudo anda muito no "junto e misturado" ou seja, em uma época onde as mulheres devam ser valorizadas igualmente aos homens e não somente no mercado de trabalho, mas diria estar ao lado quanto a posicionamento na sociedade como um todo, necessário também que a mesma não se enxergue apenas como um "belo pedaço de carne" (e não é o caso de todas, mas infelizmente de uma parcela que compõe a as influências , a mídia, novelas, etc, por exemplo;). Sou a favor do resgate nestes tempos de muita informação quase sem filtros, do cavalheirismo ao que toca a educação, a cortesia, d claro, se por no lugar do outro., o que é muito diferente de ser machista!.
    Belo texto,parabéns 😉