feminismo Archives - Cresci e Agora

#EuNãoEsqueci

Pensei em escrever no meu Facebook, mas ia virar textão e se perder na minha timeline. Então, decidi trazer para o meu blog, meu espaço.

As últimas semanas deram força para uma discussão que sempre mexe muito comigo: violência contra a mulher.

Eu, como mulher, já tive que lidar muitas vezes com o abuso, explícito ou não, de pessoas próximas ou não. E isso me move a defender um debate aberto e sem hipocrisia sobre o assunto, pedindo uma coisa simples para começar: sensibilidade.

Algumas coisas que vou contar nunca contei para ninguém. E ressalto o meu silêncio, ele existe/existiu porque quando falamos há quem tente nos calar, e para ser sincera, eu não estava preparada para isso.

Quase todos os meus relatos não são sobre psicopatas, ou loucos, são sobre pessoas normais.

O #meuprimeiroassédio eu não lembro, já que era muito nova para lembrar.
Sei que certa vez meu avô, único avô que conheci, correu atrás de mim pelado, querendo “brincar”. Eu não lembro, mas sei que fugi dele e contei aos meus pais assim que possível. Meus pais trabalhavam fora e eu estava sobre a guarda desse “responsável”.
Meus pais acreditaram em mim e me protegeram prontamente, mas não virou caso de polícia e nunca mais se falou sobre.
Uma das poucas coisas que lembro é que dormi por muito tempo de olhos abertos depois disso.

Apesar do assédio tão cedo, esse particularmente não me fere hoje, já que caiu no esquecimento da infância.
Porém, ainda lembro bem de quando, um pouco mais crescida, fui abusada por um primo mais velho.
Eu devia ter uns 7 anos mais ou menos, ele provavelmente uns 15.
Eu dormi na casa de uma tia querida. Sou de uma família grande, cheia de primos e primas, e dormimos em galera, em colchões no chão. Esse primo estava em outro quarto, mas durante a noite trocou de lugar e ficou atrás de mim.
Eu acordei com ele se masturbando ou algo assim, mexendo na minha bunda. Eu assustada, chorei baixo e disse que queria ir para casa, ele continuou. Fiquei com vergonha de acordar todo mundo. Nunca contei para os meus pais.
O curioso desse fato é que a cultura do estupro já estava em nós, tão crianças. Ele como estuprador. Eu como vítima calada que tem vergonha de se expor.
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Você já ouviu falar do Teste Bechdel?

Certo dia pesquisando sobre cinema eu me deparei com um conceito bem interessante conhecido como Teste Bechdel. A ideia é bem simples e ajuda a analisar como os filmes estão lidando com o universo feminino a partir de quatro regras:

1- Devem existir pelo menos duas mulheres no filme
2- Elas devem conversar entre si
3- Sobre assuntos que não envolvem homens (pais, filhos, namorados, etc)
4- E elas devem ter um nome

O conceito surgiu em 1985 depois que a cartunista Alison Bechdel publicou o quadrinho Dykes to Watch Out For, no qual em um dos diálogos duas personagens expõem que somente veriam um filme se ele se enquadrasse nos conceitos apresentados acima (a 4º regra veio depois).

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Eu não preciso do seu elogio

Faz pouco mais de um ano que André Miranda, do Globo, escreveu o texto “Você é muito bonita“, uma grande expressão de como nossa sociedade é machista.

Hoje vi esse vídeo que me lembrou do episódio e não podia deixar de compartilhar.

Em Nova York, não muito diferente de São Paulo, uma mulher não pode andar pela rua sem um “elogio”.

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Resposta à “você é muito bonita”

No começo deste mês uma pesquisa bem interessante sobre cantadas foi publicada aqui na interwebs. Intitulada Chega de Fiu Fiu, a postagem rendeu bons (e péssimos) comentários vindos de todos os cantos.

Slut Shaming

Sem maiores delongas (eu deixo pra um post futuro), o texto abaixo foi escrito por Olivia Portela e representa exatamente o que eu pensei e penso e tudo o que eu queria sinceramente dizer para o jornalista André Miranda, o cara que escreveu este monte de asneira texto no site O Globo.

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